[Entomofungo-l] Mensagem do Rogério

Rogério Biaggioni Lopes rblopes em cenargen.embrapa.br
Segunda Abril 13 09:45:10 BRT 2009


Marcos,
Realmente não é adicionar um fungicida ou aumentar os tempos de leitura que 
vão encarecer a análise. Como disse, pequenas alterações no protocolo 
sugerido pelo Zé, como essas e algumas outras são importantes se a análise 
ficar mais precisa. Assim como detalhes do procedimento das análise de óleo 
que nós já colocamos e a dissertação do Daian pode reforçar. O importante é 
deixar o laudo claro de forma a evitar confusões. O consumidor tem que ter 
uma informação que diga se o produto está bom ou ruim em relação ao que o 
fabricante coloca no rótulo.
Pessoalmente acho que temos que nos concentrar em definir a qualidade do 
produto confrontando as informações na análise com as do fabricante. E não 
criar um padrão de produto que julgamos adequado. Não sei se consegui ser 
claro, mas segue exemplo:
Produto A - rótulo =1x10^13 viáveis/Kg; análise = 95% de viabilidade e 
concentração de 1,5x10^13/Kg - produto bom
Produto B - rótulo =1x10^10 viáveis/Kg; analise = 95% de viabilidade e 
concentração de 1,5x10^10/kg - produto bom
Veja que não é porque o produto tem menor concentração declarada que ele é 
pior, em relação a análise ele está bom. Imaginemos por exemplo produtos a 
base de esporos de Entomophthorales, possivelmente a concetração de esporos 
seja bem biaxa em relação a um produto a bese de Beauveria, mas o fungo faz 
efeito assim mesmo. Isso ocorre também com Lecanicillium, em que menos 
esporos podem ocasionar uma epizootia e o produto fazer o efeito. Mesmo em 
Metarhizuim e Beauveria, diferenças entre isolados e formulações podem fazer 
um produto menos concentrado ser mais eficaz. Experimentalmente em ensaios 
ou no campo é que essa infromação aparece, mas esses que podem ser os 
estudos extra que eu me referia, a critério do interessado.
Abs
Rogério

----- Original Message ----- 
From: "Marcos Faria" <mrf39 em cornell.edu>
To: <entomofungo-l em rumba.ufla.br>
Cc: <dgpdoliv em esalq.usp.br>
Sent: Friday, April 10, 2009 12:55 PM
Subject: [Entomofungo-l] Mensagem do Rogério


Rogério e demais colegas,

Bom dia!

A pedido do Alcides, ao invés de dar um "reply" para uma mensagem grande,
estou realçando apenas os pontos da mensagem do Rogério que pretendo 
abordar:

- Um protocolo simples, mesmo que cientificamente imperfeito, é de grande
valia para o mercado;

- A emissão de laudo baseado no protocolo aperfeiçoado (com fungicida e
tempo de leitura aumentado) deveria ser opcional, a pedido do consumidor
interessado. Este protocolo, em função do seu custo maior, seria adotado
nos casos em que se queira tirar dúvidas e resolução de conflitos.

- Uso de valores de referência para viabilidade: 75-100% de viabilidade =
categoria produto bom, etc... (uso de faixas)


Concordo parcialmente com as suas colocações. Um protocolo simples pode ser
de grande valia para uso no dia-a-dia do laboratório (dependendo da
natureza do teste), mas quando o objetivo é avaliar com precisão a
viabilidade ou avaliar a qualidade de produtos comerciais para emissão de
laudos, a metodologia a ser empregada tem que ser muito precisa do ponto de
vista científico. A importância de laudos de avaliação de produtos é
gigantesca, não apenas para um consumidor decidir se vai efetuar ou não uma
compra milionária, mas até mesmo para uso na justiça contra fabricantes que
agem de má fé. A responsabilidade de quem emite laudos é imensa e, por
isso, o uso da melhor metodologia disponível é imprescindível, até mesmo
para resguardar a instituição emissora de dores de cabeça. Felizmente, para
avaliações quali-quantitativas de micoinseticidas, a qualidade da
metodologia é incrementada sensivelmente sem trabalho extra (o trabalho
extra é pesar 5mg de fungicida) e o custo extra é desprezível (5 mg de
benomil para preparar um litro de meio, suficiente para dezenas de
análises, fica em alguns centavos nos mercados onde o produto é
encontrado). Ou seja, o método com adição do fungicida é simples, barato,
rápido e, sobretudo, mais preciso e com maior possibilidade de
reproducibilidade que a metodologia convencional conforme abordado pelo
Ítalo. Veja só este exemplo real: em um dos ensaios que realizei, conídios
do mesmo lote de Metarhizium foram divididos em dois grupos: um deles foi
submetido à hidratação enquanto o outro foi desidratado. A viabilidade do
Metarhizium hiper-hidratado foi de 91% após 24 h de incubação a 25C, mas a
dos conídios hiper-desidratados foi estatisticamente inferior, de 81%. Com
48 h estes percentuais foram maiores para os dois casos, chegando a 94%
para os conídios hidratados. Portanto, fica claro que emitir um laudo
baseado em leituras realizadas com 24 h (ou pior ainda, 16-18h) não
expressa fielmente a correta viabilidade conidial de M. anisopliae. Pode
parecer pequena, mas uma diferença de 10% pode ter sérias repercussões,
pois se o consumidor estiver na dúvida entre dois produtos semelhantes, mas
um deles com 91% de germinação aparente e o outro com 81%, a opção recairá
sobre o primeiro, muito embora os dois tenham a mesma viabilidade real. E,
ainda, é provável que o produto com menor viabilidade aparente tenha uma
vida-de-prateleira muito maior em função do menor teor de água. A emissão
do laudo baseado no protocolo aperfeiçoado tem que ser a regra, porque
muitos consumidores não conseguem e não têm tempo para tentar entender as
diferenças entre protocolos. O que eles querem é um laudo imparcial emitido
após o emprego da melhor metodologia disponível, que não deixe dúvidas
sobre a verdadeira qualidade do produto. Entre pagar X por um laudo
duvidoso ou X + alguns centavos por um laudo mais informativo, acredito que
não há dúvidas sobre a melhor opção.


Muito bom vc levantar a questão de como deve ser a apresentação do laudo.
Um produto com 90% de viabilidade real e baixa concentração pode ser muito
pior que um produto com 60% de viabilidade real e concentração mais
elevada. Por isso é que o laudo tem que ser expresso na forma de "Conídios
viáveis por litro ou Kg do produto comercial".  O ingrediente ativo é o
conídio vivo, e o conídio morto é só prejuízo para o consumidor - ele paga
pelo peso, transporte, armazenamento e aplicação de algo que não tem
função. O número de conídios viáveis leva em consideração os dois fatores,
concentração e viabilidade. No caso de sacolas com 200gr de arroz
colonizado pelo fungo, resultados poderiam ser apresentados da seguinte 
forma.

PRODUTO 1:
Concentração média: 1 x 10E12 conídios por Kg (2 x 10E11 conídios por 
sacola)
Viabilidade média: 90%
NÚMERO DE CONÍDIOS VIÁVEIS: 9x10E11 conídios viáveis por Kg (1.8 x 10E11
conídios viáveis por sacola)
(esta informação sobre o número de conídios viáveis deve ser apresentada em
letras garrafais, em destaque)

PRODUTO 2:
Concentração média: 2 x 10E12 conídios por Kg (4 x 10E11 conídios por 
sacola)
Viabilidade média: 60%
NÚMERO DE CONÍDIOS VIÁVEIS: 1.2x10E12 conídios viáveis por Kg (2.4 x 10E11
conídios viáveis por sacola)

Veja que o produto 1, apesar de apresentar maior viabilidade, tem 33% menos
conídios viáveis (= ingrediente ativo) que o produto com menor viabilidade.


VALORES DE REFERÊNCIA

- maior que 3 x10E12 conídios viáveis por Kg ou L = ótima concentração de
conídios viáveis
- entre  2 e 3 x10E12 conídios viáveis por Kg ou L= bom
- entre  1 e 3 x10E12 conídios viáveis por Kg ou L= ruim
- abaixo de 1 x 10E12 conídios viáveis por Kg ou L = péssimo


Obviamente que estes valores de referência são para discussão. É importante
manter os níveis elevados para forçar as empresas a melhorar a concentração
de conídios viáveis em seus produtos.

A experiência do Rogério é fantástica e a maior parte das observações e
comentários da mensagem anterior foram muito pertinentes. Apesar desta
longa mensagem, a minha única discordância é sobre o uso da metodologia
convencional vs. metodologia aperfeiçoada. Eu abordei também a questão dos
valores de referência, embora a idéia do  Rogério não foi apresentar
valores definitivos para os laudos, mas dar início a esta discussão que é
tão relevante. Por mais perfeito que seja a metodologia de avaliação de um
produto, o laudo não tem valor algum se o consumidor não consegue
entendê-lo e se não consegue usá-lo corretamente para comparar produtos
diferentes.

Abcs a todos e um ótimo final de semana.
Marcos Faria


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