[Entomofungo-l] RES: Opinião de todos!
José Eduardo Marcondes de Almeida
jemalmeida em biologico.sp.gov.br
Segunda Abril 27 09:30:29 BRT 2009
Bom dia a todos os membros da Rede Entomofungo;
Estamos conversando sobre as análises de viabilidade e concentração dos
bioinseticidas a base de fungos entomopatogênicos, discussão essa que foi
provocada pela Itaforte, sendo solicitado aos membros da ABCBio uma
manifestação sobre o protocolo mais correto desse teste. Acredito que a
ABCBio poderia se pronunciar sobre se ela vai certificar algum produto ou
não. Acredito que nem a ABCBio e nem nós de instituições oficiais poderemos
fiscalizar produtos no mercado e não é esse o intuito dessa discussão ao meu
ver, nem quero e nem posso como instituição, fiscalizar ninguém. O que
estamos conversando é sobre uma maneira de “padronizarmos” a análise
quali-quantitativa para fungos e darmos uma resposta a ABCBio. Entendo que
é nossa obrigação como pesquisadores e como Rede fornecermos subsídios
claros para que as empresas possam trabalhar dentro de padrões
técnicos-científicos adequados e assim “falarmos a mesma língua” quanto as
análises. Somente isso. É claro que temos muitas coisas para conversar sobre
a produção de bioinseticida a base de fungos, mas tenho acompanhado o
trabalho de várias empresas que estão resolvendo a questão do registro e
todo tipo de documentação necessária, mas querem saber de nós o melhor ou o
método mais correto de analisarmos os produtos, pois com certeza vamos
continuar a receber material para analisar, pois querem saber se o que está
escrito na embalagem procede.
Entendo que nosso papel nesse momento seria dar esse subsídio, mas é claro
que estamos numa rede de discussão e isso fica aberto para a opinião de
todos.
Um abraço
JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
Pesquisador Científico
Instituto Biológico
Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
Rod. Heitor Penteado, km 3
Caixa Postal 70
Campinas-SP CEP 13001-970
Fone/fax: + 55 19 3252 2942
www.biologico.sp.gov.br
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
32
De: A. Batista Filho [mailto:batistaf em dglnet.com.br]
Enviada em: sábado, 25 de abril de 2009 19:07
Para: Pedro Neves; José Eduardo Marcondes de Almeida;
entomofungo-l em rumba.ufla.br
Assunto: Re: [Entomofungo-l] Opinião de todos!
Caros Membros da Rede Entomofungo,
Como bem colocado pelo colega Pedro Neves qualquer processo de certificação
não substitui a obrigatoriedade do registro junto aos orgãos federais
competentes. Dessa forma entendo que na hipótese de concluirmos um protocolo
de certificação e junto com este não constar a necessidade do produto estar
legalmente estabelecido no mercado, ou seja, registrado, estaremos
contribuindo para uma situação irregular. Também entendo que certificar ou
no caso mais profundo, "acreditar", não seja tarefa de instituições oficiais
e sim colaborar no processo. Para efeito prática existem as empresas
devidamente registradas junto ao INMETRO que avaliam processos de gestão,
boas práticas de fabricação e BPL. Claro que é possível uma certificação com
escopo limitado mas dificil seria, como já bem falado, a fiscalização, haja
visto não ser de nossa competência.
Nesta oportunidade, em minha opinião, seria mais produtivo focarmos um
protocolo para a pesquisa e desenvolvimento quanto ao testes
quali-quantitativos. Acertado o procedimento teríamos um protocolo que
poderia ser transferido para as empresas que desejassem adotá-lo. Creio que
assim teríamos uma sequência de trabalho com menores traumas.
Transmito esta visão para que os colegas avaliem e se manifestem.
Abs.
A. Batista Filho
Instituto Biológico
----- Original Message -----
From: Pedro Neves <mailto:pedroneves em uel.br>
To: José Eduardo Marcondes de Almeida
<mailto:jemalmeida em biologico.sp.gov.br> ; entomofungo-l em rumba.ufla.br
Sent: Friday, April 24, 2009 10:32 AM
Subject: Re: [Entomofungo-l] Opinião de todos!
Prezados colegas
Tenho acompanhado a discussão muito interessante sobre os protocolos e
metodologias.
Primeiro gostaria de verem esclarecidas algumas dúvidas que acredito básicas
e que vão, a meu ver, orientar a nossa discussão:
- Nós vamos certificar o que as empresas/associação dizem de seus
produtos ou vamos fiscalizar o que está no mercado? A meu ver são coisas
completamente diferentes. A certificação seria feita mediante uma
solicitação da empresa ou da ABCbio e deveria ser paga pela mesma. Neste
caso o que a ABCbio irá colocar no produto, o seu selo, a sua
certificação?? O que será avaliado para certificar?? Somente viabilidade e
quantidade de conídios ou outros parâmetros importantes? No caso de
fiscalizar acredito que não podemos fazê-lo, pois esse poder é e deve ser
exercido pelos órgãos reguladores do governo. Além disso, não temos
estrutura para fiscalizar. Tanto para a certificação quanto para a
fiscalização, acredito que um laudo de uma instituição de ensino ou pesquisa
não pode e não deve substituir um registro no ministério. Também, até que
ponto o laudo da ABCbio ou de outra instituição pode contribuir para que
ocorra uma “fuga” do registro? Assim, a meu ver é um aspecto político/legal
que temos que considerar.
- Um outro aspecto político e também minha dúvida, é se a nossa função
vai ser de orientar/assessorar as empresas/associação estabelecendo
procedimentos e metodologias a serem empregadas, seguindo normatização
oficial e fiscalizado pelo governo ou pela ABCbio. Neste caso, os
procedimentos ou metodologias deveriam abranger toda a cadeia produtiva do
fungo, inclusive nos aspectos não só de viabilidade e concentração, mas
também outros parâmetros importantes como contaminação e características
físico-químicas, entre outras. Para isso tem que haver uma cooperação entre
as empresas/associação e a entomofungo.
Consultei o site da ABIC (http://www.abic.com.br/) e, guardadas as devidas
proporções, acho que a ABCbio terá um papel próximo ou igual ao da ABIC e
provavelmente de outras associações.
Também acho que temos que ter uma posição de aliados das empresas sérias. A
meu ver, o CM por fungos somente irá se desenvolver se houver uma sintonia
fina entre o setor produtivo e o setor de pesquisa e desenvolvimento. Neste
caso, poderemos até estudar demandas das associações/empresas para assuntos
que são gargalos no processo produtivo como já é feito por algumas, em
convênios específicos com instituições. Acredito que o nosso principal
objetivo é o de trazer as empresas para a legalidade (registro) através de
tecnologias de produção e metodologias de controle e aferição de qualidade.
Neste caso, os aspectos técnicos são secundários. Quando digo secundários
não significa que sejam sem importância, mas que seriam tratados
posteriormente, depois de resolvidas e avaliadas as demandas. Por exemplo, o
desenvolvimento de um protocolo para avaliar a qualidade-quantidade de um
produto deve ser para a empresa usar na sua rotina ou para uma certificação?
A meu ver são procedimentos com diferentes complexidades e assim
metodologias diferentes. A ABCbio vai solicitar uma certificação ou um laudo
onde iremos qualificar o produto. Na minha percepção a certificação vai
“certificar” se o produto está de acordo com o que diz no rótulo. Já um
laudo quali-quantitativo vai e pode dizer sobre a qualidade do produto. A
meu ver não termos sucesso se quisermos qualificar os produtos mas sim se
quisermos certificar .
Posto isto pessoal acho que os aspetos técnicos poderão fluir de forma mais
dinâmica depois de sabermos ao certo o que estamos querendo e para onde
estamos indo. Desculpem mas isso para mim não ficou ainda claro!!!
Este é o meu ponto de vista e acredito que a discussão deve começar por aí.
Desculpem, mas do jeito que está, estamos misturando as coisas e colocando o
carro na frente dos bois.
Deste modo, sugiro que o Rogério faça esta ponte entre a entomofungo e a
ABCbio/empresas por ter estado até recentemente numa das empresas mais
sérias na produção de fungos entomopatogênicos e, a meu ver, conhecer como
ninguém os dois lados inclusive, se não me engano, participando da fundação
da ABCbio. Entretanto, isto é somente uma sugestão (sem consultar o Rogério)
e claro que outros poderão e deverão participar desta linha de frente com as
empresas. Sugiro que as pessoas se candidatem a participar dos diferentes
processos/etapas em todas as discussões.
Com relação aos aspetos técnicos tenho várias sugestões/dúvidas que somente
colocarei quando definido o que será realmente feito pela entomofungo.
Um abraço a todos.
Pedro
----- Original Message -----
From: José Eduardo Marcondes de Almeida
<mailto:jemalmeida em biologico.sp.gov.br>
To: entomofungo-l em rumba.ufla.br
Sent: Friday, April 24, 2009 8:55 AM
Subject: [Entomofungo-l] Opinião de todos!
Ótimo! Precisamos das mais diversas opiniões para fecharmos essas questões
sobre a viabilidade e assim, todos conversarem sobre o mesmo tipo de
análise. Padronizarmos mesmo.
Vamos lá pessoal, tentem pensar por alguns minutos e escreverem suas
opiniões, pois dessa forma estaremos nos fortalecendo como pesquisadores e
ajudando o controle microbiano no Brasil e América Latina. À medida que as
discussões avançarem, vou colocando os pontos comuns para então fecharmos as
discussões. Pode demorar um pouco, mas é assim mesmo, não podemos desanimar.
Um abraço
JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
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