[Entomofungo-l] RES: ENC: UFC vs. Viabilida de diret a: qual é o mais correto? (II)
Marcos Faria
mrf39 em cornell.edu
Quarta Abril 1 13:27:42 BRT 2009
Olá pessoal,
Esqueci de fazer um comentário sobre a forma como o resultado da análise
poderia ser expresso. Pelo que entendi o Instituto Biológico informará o
número total de conídios e a viabilidade. Estes dados podem ser
apresentados separadamente, de forma conjunta ("número de conídios viáveis
por Kg ou Litro do produto comercial") ou as 3 formas (concentração,
viabilidade, e número de conídios viáveis por Kg ou L). Qualquer um dos
dois últimos tipos, seja conjunta ou as 3 formas, são muito mais
informativas que a primeira forma. Se a opção fosse apenas pela forma
separada (concentração e viabilidade, isoladamente), alguns usuários
poderiam se confundir. Por exemplo, um produto com baixa concentração e
alta viabilidade, ou um produto com elevada concentração e baixa
viabilidade, poderiam ser interpretados por alguém que não é da área como
sendo bons. Mas quando se informa o "número de conídios viáveis por Kg ou
Litro do produto comercial" e uma tabela de referência sobre a concentração
mínima desejável de esporos viáveis por Kg ou L de produtos desta natureza,
a coisa muda de figura.
Por úlltimo, eu já ouvi histórias cabeludas sobre envio de produtos
adulterados para análises, embora nenhum deles relacionados a
bioinseticidas. Esta é uma das razões pelas quais o próprio Ministério da
Agricultura realiza algumas análises sem a participação de outros atores,
sobretudo da iniciativa privada, para garantir a idoneidade de todo o
processo. Formas de evitar este tipo de problema têm que ser consideradas,
sempre. Existem muitos interesses em jogo, e a montagem de um esquema para
favorecer ou prejudicar o produto A ou B não deve ser descartada. Uma forma
de diminuir este tipo de problema seria a empresa fabricante enviar uma
amostra para o IB no mesmo dia em que despachar a encomenda para o usuário.
Então, o IB emitiria um laudo do produto recebido da empresa e outro laudo
do produto recebido do usuário. Se os valores forem compatíveis, ótimo. Se
não forem compatíveis, o sinal vermelho tem que ser acionado. Neste caso
pode ser que o produto não foi devidamente armazenado pelo usuário, ou que
o transporte entre a propriedade rural e o IB foi realizado sob condições
inadequadas, ou que o produto foi adulterado, ou que o fabricante agiu de
má fé e enviou um produto bom para o IB e um produto ruim para o usuário.
Outra coisa importante é que o usuário tem que se comprometer a enviar o
produto para o Instituto Biológico o mais rápido possível, de preferência
até o dia seguinte ao recebimento, para garantir que uma eventual queda de
viabilidade não foi causada pelo armazenamento indevido. E, conforme
sugerido no arquivo, o envio das amostras pelo usuário teria que ser feito
em caixa de isopor para proteger o produto das elevadas temperaturas e da
exposição ao sol.
Abcs,
Marcos
At 09:14 AM 4/1/2009 -0300, José Eduardo Marcondes de Almeida wrote:
>Prezado Marcos;
>Obrigado pelas sugestões, precisamos definir esse pontos.
>Quanto à amostragem é um risco que corremos para qualquer tipo de análise em
>qualquer setor. O ideal seria fazermos a amostragem, mas fica muito caro e
>se perde muito tempo com isso. O que podemos fazer é realizarmos a análise
>novamente, caso não haja concordância e em alguns casos coletar a amostra,
>mas nunca tivemos problemas assim.
>Vamos conversando mais sobre o assunto análise.
>Um abraço
>
>JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
>Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
>Pesquisador Científico
>Instituto Biológico
>Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
>Rod. Heitor Penteado, km 3
>Caixa Postal 70
>Campinas-SP CEP 13001-970
>Fone/fax: + 55 19 3252 2942
>www.biologico.sp.gov.br
>
>"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
>32
>
>-----Mensagem original-----
>De: Marcos Faria [mailto:mrf39 em cornell.edu]
>Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 19:53
>Para: José Eduardo Marcondes de Almeida; entomofungo-l em rumba.ufla.br
>Assunto: Re: [Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais
>correto?
>
>José Eduardo,
>
>Boa noite!
>
>1) Que bom voltar a discutir assuntos relacionados aos fungos
>entomopatogênicos.
>O melhor ainda é poder contribuir para uma discussão tão interessante quanto
>esta, que ao mesmo tempo poderá ser útil ao protocolo que vcs estão
>desenvolvendo. Acho que o documento está ficando muito bom e estou
>apresentando, em anexo, uma série de sugestões. São apenas sugestões e,
>portanto, fique à vontade para aceitar ou não. Podemos até usar este fórum
>para discutir aquelas mais "polêmicas". Por falar em polêmico, eu sempre
>fiquei com a pulga atrás da orelha sobre a etapa anterior à realização das
>análises. Infelizmente, gente boa e gente mal intencionada (em proporção
>muito menor) tem em todo lugar. Como garantir que as amostras que serão
>enviadas para o Instituto Biológico são representativas dos produtos tal
>qual foram recebidos pelo usuário?
>Considere a seguinte situação que, embora pouco provável, pode acontecer:
>com a finalidade de ferir a reputação do produto A, um funcionário de
>determinada usina que tem interesse pe$$soal no produto B, envia para
>análise no Instituto Biológico uma amostra adulterada (por exemplo, exposta
>ao sol durante horas, ou cozida no microondas durante alguns minutos para
>reduzir a viabilidade, etc...).
>Neste caso, o laudo
>indicaria que o produto A é muito ruim, mas o que a usina recebeu foi um
>produto muito melhor. Como evitar ou diminuir que problemas desta natureza
>ocorram? Uma contra-prova oferecida pela empresa A teria algum valor, mesmo
>sabendo que muito provavelmente a empresa enviaria um super-produto? Bem,
>esta é apenas uma provocação para que o processo de amostragem (antes das
>análises) seja o mais correto possível e que não deixe muitas lacunas para
>falcatruas.
>
>2) Concordo com o técnico da empresa de que a contagem direta é mais
>indicada que o uso da UFC para as análises quanti-qualitativas. Tenho visto
>inúmeras publicações em que o pessoal que trabalha com fungos
>entomopatogênicos emprega contagens diretas, enquanto o pessoal da
>fitopatologia gosta do uso das UFC. Particularmente, acho que o uso da UFC
>só é interessante quando a contagem direta não é possível.
>
>3) Parabéns por ter conseguido os recursos para as tabelas. Isto é uma ótima
>notícia. O Pedro tem o contato do Alexandre. Acho que temos que dar uma
>atualizada nas tabelas antes de enviá-las para o Alexandre. Portanto, depois
>que vcs conseguirem conversar com o Alexandre e a data para o envio do
>material estiver acertado, vamos passar as tabelas por uma rápida revisão.
>
>Abraço a todos,
>
>Marcos Faria
>
>
>
>
>
>At 10:33 AM 3/31/2009 -0300, José Eduardo Marcondes de Almeida wrote:
> >Bom dia a todos!
> >Quero antes de mais nada me desculpar pela "ausência", mas estou
> >atolado até junho de 2009 num processo de certificação ISO 9001:2000
> >para Análise quali-quantitativa de bioinseticidas de a base de fungos
> >entomopatogênicos e com isso, fazem três meses que estou querendo
> >escrever como secretário da Rede Entomofungo, mas não tenho me
> >disciplinado para isso. Bom, espero a compreensão dos participantes da
> >rede e vou procurar me aplicar mais a esse trabalho.
> >
> >Como já citei, estamos pretendendo a acreditação dessa análise, que
> >para o produtor e o usuário de bioinseticidas é de extrema importância.
> >Por isso, estou encaminhando anexo o nosso protocolo de trabalho para
> >essa análise para termos uma base de discussão e assim também chegarmos
> >a um consenso no assunto. Por isso é importante também a questão do
> >Gabriel Moura da Itaforte (Leiam a mensagem dele abaixo desta!) sobre
> >análise de viabilidade e desse modo darmos uma posição dos
> >pesquisadores da Rede Entomofungo sobre o assunto viabilidade direta ou
> >UFC. Quero já posicionar a favor de trabalharmos para os fungos
> >entomopatogênicos com a viabilidade direta somente, como está no meu
>procedimento.
> >
> >Acho interessante que essa discussão acabou saindo diretamente da
> >empresa e nos "cutucou" um pouco sobre o assunto e com a discussão da
> >Rede Entomofungo, motivo pelo qual ela foi criada, vamos começar a
> >trabalhar um pouco mais esse assunto e outros ainda que estão na pauta a
>alguns anos.
> >
> >Estou procurando o Alexandre Sene Pinto para falar da publicação das
> >nossas tabelas, acredito que já consegui verba para isso, mas tenho nenhum
>contato.
> >Não sei o que acontece, peço ajuda de vocês.
> >
> >Vamos trabalhar juntos nessas discussões sobre aquilo que trabalhamos,
> >essa é a primeira missão da Entomofungo.
> >
> >Um abraço a todos.
> >
> >JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
> >Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
> >Pesquisador Científico
> >Instituto Biológico
> >Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico Rod. Heitor Penteado,
> >km 3 Caixa Postal 70 Campinas-SP CEP 13001-970
> >Fone/fax: + 55 19 3252 2942
> >www.biologico.sp.gov.br
> >
> >"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João
>8:
> >32
> >
> >-----Mensagem original-----
> >De: Gabriel Moura [mailto:gabrielmoura em itafortebioprodutos.com.br]
> >Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 10:08
> >Para: Alan Pomela; ABCBio; ari em biocontrole.com.br;
> >rubensjr em turfal.agr.br; danilo em bugbrasil.com.br; aballa em uol.com.br;
> >Pedro Neves UEL; italo em esalq.usp.br; Rogério Biaggini Lopes;
> >trazilbo em epamig.br; lfaalves em unioeste.br; ralves em cpac.embrapa.br;
> >faria em cenargen.embrapa.br; jemalmeida em biologico.sp.gov.br;
> >mmorandi em cnpma.embrapa.br; murillo em cnpaf.embrapa.br; alcmoino em ufla.br;
> >sosa em cnpso.embrapa.br; mantova em biologico.sp.gov.br
> >Cc: Miro
> >Assunto: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?
> >
> >Bom dia!
> >
> >Prezada ABCbio e demais colegas copiados neste e-mail,
> >
> >Ao receber um e-mail em nome da ABCbio a respeito da padronização de
> >laudos quali-quantitativos de produtos microbianos com base no método
> >de UFC (unidades formadoras de colônias) fiquei pasmo e assustado, uma
> >vez que este método gera resultados discrepantes e incoerentes em
> >relação à real concentração viável de um produto microbiano. Veja, não
> >estou fazendo crítica, pois ainda não existe uma receita ou protocolo
> >universal e consagrado nesse sentido e nunca haverá, só sei que há duas
> >correntes: uma que utiliza a "viabilidade direta" (faz contagem de
> >esporos e determina a viabilidade pelo método de plaqueamento e leitura
> >em microscópio de luz, tomando-se a proporção de conídios germinados) e
> >a outra emprega o método de UFC. Algumas empresas privadas do setor
> >preferem uma a outra, porém divergências surgem em laudos quando são
> >utilizados os dois métodos, o que leva a um choque ou conflito de
> >resultados. O Prof. Sérgio Batista Alves e inúmeros outros
> >pesquisadores do campo de Controle Microbiano de Artrópodes e Controle
> >Biológico de Doenças consolidaram o método de "viabilidade direta" como
> >sendo o mais preciso e realista. Diversas teses da ESALQ, orientadas
> >pelo Prof. Sérgio, adotaram a "viabilidade direta" como parâmetro de
> >avaliação de produtos microbianos. Se o senhor pegar artigos
> >internacionais também verificará que a "viabilidade direta" é a mais aceita
>pelos pesquisadores.
> >
> >Penso eu que a missão da ABCbio em profissionalizar e padronizar um
> >protocolo de avaliação quali-quantitativo de produtos microbianos teria
> >que tomar conhecimento da opinião de pesquisadores renomados da área e
> >chegar a um senso comum entre todos aqueles que participam desta
> >organização. É claro que esta é uma missão delicada e ousada, uma vez
> >que os interesses de cada um são divergentes. Mas tudo é possível se
> >houver comunicação e embasamento científico que provem a eficácia de um
> >método em relação ao outro. Isso só é possível por meio de trabalhos
> >científicos com respaldo de pesquisadores "neutros" engajados em solucionar
>esta questão.
> >
> >Estudos feitos por nós da ESALQ demonstraram que o parâmetro UFC
> >subestima o valor real da concentração viável de um produto microbiano
> >em relação ao método de "viabilidade direta", e este valor está em
> >torno de 10 x (diferença gritante). Então, por exemplo, se um produto X
> >contém 10^10 conídios/g de Trichoderma determinado pela viabilidade
> >direta, quando se faz a UFC deste produto haverá apenas 10^9 conídios/g.
>Compreende?
> >
> >Toma libertade de enumerar abaixo algumas desvantagens do método de UFC:
> >
> >- Imprecisão: UFC preconiza a formação de uma colônia monospórica e
> >isto na prática é quase impossível, pois é comum encontrar conídios
> >agregados/agrupados dando origem a colônias. E isolar conídios, um a
> >um, é uma técnica onerosa e acredito que também seja laboriosa ou
> >impraticável/inexequível. Logo, aquela colônia formada na placa
> >contendo meio de cultura não é monospórica e sim polispórica, ou seja,
> >formada por mais de um conídio/esporo. Conseqüentemente, isso afetará a
> >concentração viável e real do produto. Em formulações oleosas de
> >fungos, como Metarhizium, Beauveria e Trichoderma, este problema de
> >colônia monospórica se agrava ainda mais, visto que o óleo encapsula
> >grupos de conídios, o que dará origem a colônias polispóricas. Para
> >isso, há necessidade de se utilizar um forte emulsionante (Solubioil,
> >detergente neutro, Triton, Tween 80 ou 120) para desagregar e extrair os
>conídios dessas bolhas de óleo.
> >Mesmo assim sobram conídios grudados um aos outros. Já na viabilidade
> >direta é possível contar um a um os conídios semeados numa placa
> >contendo meio de cultura e além do mais é feita uma leitura direta
> >daqueles conídios germinados.
> >
> >- Oneroso: UFC é um método laborioso e oneroso, pois dispende muito
> >tempo para realizar a avaliação e necessita de várias diluições para
>plaqueamento.
> >O método de viabilidade direta é rápido e fácil de executar. APenas
> >exige o mínimo de conhecimento da morfologia do microrganismo-teste
> >(conhecer o formato do esporo) para realizar a contagem em placa.
> >
> >- UFC é mais empregada para detectar a presença de patógenos (fúngicos
> >ou
> >bactérias) em algum substrato ou solo, avaliar a prevalência de um
> >microrganismo num determinado ambiente (solo, ar etc.), realizar
> >isolamentos a partir de substratos (solo, planta etc.), determinar taxa
> >de contaminação, e verificar a presença de um microganismo viável
> >(VIVO!) num determinado material ou substrato e NÃO quantificar a
>viabilidade do mesmo.
> >
> >Por esses e outros motivos, que não são poucos, desmerecemos o método
> >de UFC para quantificiar conídios viáveis em um produto, seja ele
> >formulado ou não, à base de microrganismos, como fungos e bactérias.
> >Esta é minha opinião e gostaria de compartilhá-la com todos aqueles que
> >vislumbram a idoneidade e qualidade de produtos microbianos no mercado
>brasileiro.
> >
> >São apenas sugestões, porém é preciso consultar tais pesquisadores de
> >elevado gabarito para discutir tal assunto tão importante.
> >
> >Sem mais no momento!
> >
> >Agradeço cordialmente a atenção e paciência de todos!
> >
> >Coloco-me à disposição para maiores informações.
> >
> >Fraterno abraço a todos!
> >
> >Gabriel.
> >
> >
> >Gabriel Moura
> >(15)9125-1153
> >Departamento de Pesquisa
> >www.itafortebioprodutos.com.br
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