[Entomofungo-l] RES: ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais correto?
José Eduardo Marcondes de Almeida
jemalmeida em biologico.sp.gov.br
Quarta Abril 1 09:14:33 BRT 2009
Prezado Marcos;
Obrigado pelas sugestões, precisamos definir esse pontos.
Quanto à amostragem é um risco que corremos para qualquer tipo de análise em
qualquer setor. O ideal seria fazermos a amostragem, mas fica muito caro e
se perde muito tempo com isso. O que podemos fazer é realizarmos a análise
novamente, caso não haja concordância e em alguns casos coletar a amostra,
mas nunca tivemos problemas assim.
Vamos conversando mais sobre o assunto análise.
Um abraço
JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
Pesquisador Científico
Instituto Biológico
Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
Rod. Heitor Penteado, km 3
Caixa Postal 70
Campinas-SP CEP 13001-970
Fone/fax: + 55 19 3252 2942
www.biologico.sp.gov.br
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
32
-----Mensagem original-----
De: Marcos Faria [mailto:mrf39 em cornell.edu]
Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 19:53
Para: José Eduardo Marcondes de Almeida; entomofungo-l em rumba.ufla.br
Assunto: Re: [Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais
correto?
José Eduardo,
Boa noite!
1) Que bom voltar a discutir assuntos relacionados aos fungos
entomopatogênicos.
O melhor ainda é poder contribuir para uma discussão tão interessante quanto
esta, que ao mesmo tempo poderá ser útil ao protocolo que vcs estão
desenvolvendo. Acho que o documento está ficando muito bom e estou
apresentando, em anexo, uma série de sugestões. São apenas sugestões e,
portanto, fique à vontade para aceitar ou não. Podemos até usar este fórum
para discutir aquelas mais "polêmicas". Por falar em polêmico, eu sempre
fiquei com a pulga atrás da orelha sobre a etapa anterior à realização das
análises. Infelizmente, gente boa e gente mal intencionada (em proporção
muito menor) tem em todo lugar. Como garantir que as amostras que serão
enviadas para o Instituto Biológico são representativas dos produtos tal
qual foram recebidos pelo usuário?
Considere a seguinte situação que, embora pouco provável, pode acontecer:
com a finalidade de ferir a reputação do produto A, um funcionário de
determinada usina que tem interesse pe$$soal no produto B, envia para
análise no Instituto Biológico uma amostra adulterada (por exemplo, exposta
ao sol durante horas, ou cozida no microondas durante alguns minutos para
reduzir a viabilidade, etc...).
Neste caso, o laudo
indicaria que o produto A é muito ruim, mas o que a usina recebeu foi um
produto muito melhor. Como evitar ou diminuir que problemas desta natureza
ocorram? Uma contra-prova oferecida pela empresa A teria algum valor, mesmo
sabendo que muito provavelmente a empresa enviaria um super-produto? Bem,
esta é apenas uma provocação para que o processo de amostragem (antes das
análises) seja o mais correto possível e que não deixe muitas lacunas para
falcatruas.
2) Concordo com o técnico da empresa de que a contagem direta é mais
indicada que o uso da UFC para as análises quanti-qualitativas. Tenho visto
inúmeras publicações em que o pessoal que trabalha com fungos
entomopatogênicos emprega contagens diretas, enquanto o pessoal da
fitopatologia gosta do uso das UFC. Particularmente, acho que o uso da UFC
só é interessante quando a contagem direta não é possível.
3) Parabéns por ter conseguido os recursos para as tabelas. Isto é uma ótima
notícia. O Pedro tem o contato do Alexandre. Acho que temos que dar uma
atualizada nas tabelas antes de enviá-las para o Alexandre. Portanto, depois
que vcs conseguirem conversar com o Alexandre e a data para o envio do
material estiver acertado, vamos passar as tabelas por uma rápida revisão.
Abraço a todos,
Marcos Faria
At 10:33 AM 3/31/2009 -0300, José Eduardo Marcondes de Almeida wrote:
>Bom dia a todos!
>Quero antes de mais nada me desculpar pela "ausência", mas estou
>atolado até junho de 2009 num processo de certificação ISO 9001:2000
>para Análise quali-quantitativa de bioinseticidas de a base de fungos
>entomopatogênicos e com isso, fazem três meses que estou querendo
>escrever como secretário da Rede Entomofungo, mas não tenho me
>disciplinado para isso. Bom, espero a compreensão dos participantes da
>rede e vou procurar me aplicar mais a esse trabalho.
>
>Como já citei, estamos pretendendo a acreditação dessa análise, que
>para o produtor e o usuário de bioinseticidas é de extrema importância.
>Por isso, estou encaminhando anexo o nosso protocolo de trabalho para
>essa análise para termos uma base de discussão e assim também chegarmos
>a um consenso no assunto. Por isso é importante também a questão do
>Gabriel Moura da Itaforte (Leiam a mensagem dele abaixo desta!) sobre
>análise de viabilidade e desse modo darmos uma posição dos
>pesquisadores da Rede Entomofungo sobre o assunto viabilidade direta ou
>UFC. Quero já posicionar a favor de trabalharmos para os fungos
>entomopatogênicos com a viabilidade direta somente, como está no meu
procedimento.
>
>Acho interessante que essa discussão acabou saindo diretamente da
>empresa e nos "cutucou" um pouco sobre o assunto e com a discussão da
>Rede Entomofungo, motivo pelo qual ela foi criada, vamos começar a
>trabalhar um pouco mais esse assunto e outros ainda que estão na pauta a
alguns anos.
>
>Estou procurando o Alexandre Sene Pinto para falar da publicação das
>nossas tabelas, acredito que já consegui verba para isso, mas tenho nenhum
contato.
>Não sei o que acontece, peço ajuda de vocês.
>
>Vamos trabalhar juntos nessas discussões sobre aquilo que trabalhamos,
>essa é a primeira missão da Entomofungo.
>
>Um abraço a todos.
>
>JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
>Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
>Pesquisador Científico
>Instituto Biológico
>Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico Rod. Heitor Penteado,
>km 3 Caixa Postal 70 Campinas-SP CEP 13001-970
>Fone/fax: + 55 19 3252 2942
>www.biologico.sp.gov.br
>
>"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João
8:
>32
>
>-----Mensagem original-----
>De: Gabriel Moura [mailto:gabrielmoura em itafortebioprodutos.com.br]
>Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 10:08
>Para: Alan Pomela; ABCBio; ari em biocontrole.com.br;
>rubensjr em turfal.agr.br; danilo em bugbrasil.com.br; aballa em uol.com.br;
>Pedro Neves UEL; italo em esalq.usp.br; Rogério Biaggini Lopes;
>trazilbo em epamig.br; lfaalves em unioeste.br; ralves em cpac.embrapa.br;
>faria em cenargen.embrapa.br; jemalmeida em biologico.sp.gov.br;
>mmorandi em cnpma.embrapa.br; murillo em cnpaf.embrapa.br; alcmoino em ufla.br;
>sosa em cnpso.embrapa.br; mantova em biologico.sp.gov.br
>Cc: Miro
>Assunto: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?
>
>Bom dia!
>
>Prezada ABCbio e demais colegas copiados neste e-mail,
>
>Ao receber um e-mail em nome da ABCbio a respeito da padronização de
>laudos quali-quantitativos de produtos microbianos com base no método
>de UFC (unidades formadoras de colônias) fiquei pasmo e assustado, uma
>vez que este método gera resultados discrepantes e incoerentes em
>relação à real concentração viável de um produto microbiano. Veja, não
>estou fazendo crítica, pois ainda não existe uma receita ou protocolo
>universal e consagrado nesse sentido e nunca haverá, só sei que há duas
>correntes: uma que utiliza a "viabilidade direta" (faz contagem de
>esporos e determina a viabilidade pelo método de plaqueamento e leitura
>em microscópio de luz, tomando-se a proporção de conídios germinados) e
>a outra emprega o método de UFC. Algumas empresas privadas do setor
>preferem uma a outra, porém divergências surgem em laudos quando são
>utilizados os dois métodos, o que leva a um choque ou conflito de
>resultados. O Prof. Sérgio Batista Alves e inúmeros outros
>pesquisadores do campo de Controle Microbiano de Artrópodes e Controle
>Biológico de Doenças consolidaram o método de "viabilidade direta" como
>sendo o mais preciso e realista. Diversas teses da ESALQ, orientadas
>pelo Prof. Sérgio, adotaram a "viabilidade direta" como parâmetro de
>avaliação de produtos microbianos. Se o senhor pegar artigos
>internacionais também verificará que a "viabilidade direta" é a mais aceita
pelos pesquisadores.
>
>Penso eu que a missão da ABCbio em profissionalizar e padronizar um
>protocolo de avaliação quali-quantitativo de produtos microbianos teria
>que tomar conhecimento da opinião de pesquisadores renomados da área e
>chegar a um senso comum entre todos aqueles que participam desta
>organização. É claro que esta é uma missão delicada e ousada, uma vez
>que os interesses de cada um são divergentes. Mas tudo é possível se
>houver comunicação e embasamento científico que provem a eficácia de um
>método em relação ao outro. Isso só é possível por meio de trabalhos
>científicos com respaldo de pesquisadores "neutros" engajados em solucionar
esta questão.
>
>Estudos feitos por nós da ESALQ demonstraram que o parâmetro UFC
>subestima o valor real da concentração viável de um produto microbiano
>em relação ao método de "viabilidade direta", e este valor está em
>torno de 10 x (diferença gritante). Então, por exemplo, se um produto X
>contém 10^10 conídios/g de Trichoderma determinado pela viabilidade
>direta, quando se faz a UFC deste produto haverá apenas 10^9 conídios/g.
Compreende?
>
>Toma libertade de enumerar abaixo algumas desvantagens do método de UFC:
>
>- Imprecisão: UFC preconiza a formação de uma colônia monospórica e
>isto na prática é quase impossível, pois é comum encontrar conídios
>agregados/agrupados dando origem a colônias. E isolar conídios, um a
>um, é uma técnica onerosa e acredito que também seja laboriosa ou
>impraticável/inexequível. Logo, aquela colônia formada na placa
>contendo meio de cultura não é monospórica e sim polispórica, ou seja,
>formada por mais de um conídio/esporo. Conseqüentemente, isso afetará a
>concentração viável e real do produto. Em formulações oleosas de
>fungos, como Metarhizium, Beauveria e Trichoderma, este problema de
>colônia monospórica se agrava ainda mais, visto que o óleo encapsula
>grupos de conídios, o que dará origem a colônias polispóricas. Para
>isso, há necessidade de se utilizar um forte emulsionante (Solubioil,
>detergente neutro, Triton, Tween 80 ou 120) para desagregar e extrair os
conídios dessas bolhas de óleo.
>Mesmo assim sobram conídios grudados um aos outros. Já na viabilidade
>direta é possível contar um a um os conídios semeados numa placa
>contendo meio de cultura e além do mais é feita uma leitura direta
>daqueles conídios germinados.
>
>- Oneroso: UFC é um método laborioso e oneroso, pois dispende muito
>tempo para realizar a avaliação e necessita de várias diluições para
plaqueamento.
>O método de viabilidade direta é rápido e fácil de executar. APenas
>exige o mínimo de conhecimento da morfologia do microrganismo-teste
>(conhecer o formato do esporo) para realizar a contagem em placa.
>
>- UFC é mais empregada para detectar a presença de patógenos (fúngicos
>ou
>bactérias) em algum substrato ou solo, avaliar a prevalência de um
>microrganismo num determinado ambiente (solo, ar etc.), realizar
>isolamentos a partir de substratos (solo, planta etc.), determinar taxa
>de contaminação, e verificar a presença de um microganismo viável
>(VIVO!) num determinado material ou substrato e NÃO quantificar a
viabilidade do mesmo.
>
>Por esses e outros motivos, que não são poucos, desmerecemos o método
>de UFC para quantificiar conídios viáveis em um produto, seja ele
>formulado ou não, à base de microrganismos, como fungos e bactérias.
>Esta é minha opinião e gostaria de compartilhá-la com todos aqueles que
>vislumbram a idoneidade e qualidade de produtos microbianos no mercado
brasileiro.
>
>São apenas sugestões, porém é preciso consultar tais pesquisadores de
>elevado gabarito para discutir tal assunto tão importante.
>
>Sem mais no momento!
>
>Agradeço cordialmente a atenção e paciência de todos!
>
>Coloco-me à disposição para maiores informações.
>
>Fraterno abraço a todos!
>
>Gabriel.
>
>
>Gabriel Moura
>(15)9125-1153
>Departamento de Pesquisa
>www.itafortebioprodutos.com.br
>
>
>_______________________________________________
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