[Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?

José Eduardo Marcondes de Almeida jemalmeida em biologico.sp.gov.br
Terça Março 31 10:33:53 BRT 2009


Bom dia a todos!
Quero antes de mais nada me desculpar pela "ausência", mas estou atolado até
junho de 2009 num processo de certificação ISO 9001:2000 para Análise
quali-quantitativa de bioinseticidas de a base de fungos entomopatogênicos e
com isso, fazem três meses que estou querendo escrever como secretário da
Rede Entomofungo, mas não tenho me disciplinado para isso. Bom, espero a
compreensão dos participantes da rede e vou procurar me aplicar mais a esse
trabalho. 

Como já citei, estamos pretendendo a acreditação dessa análise, que para o
produtor e o usuário de bioinseticidas é de extrema importância. Por isso,
estou encaminhando anexo o nosso protocolo de trabalho para essa análise
para termos uma base de discussão e assim também chegarmos a um consenso no
assunto. Por isso é importante também a questão do Gabriel Moura da Itaforte
(Leiam a mensagem dele abaixo desta!) sobre análise de viabilidade e desse
modo darmos uma posição dos pesquisadores da Rede Entomofungo sobre o
assunto viabilidade direta ou UFC. Quero já posicionar a favor de
trabalharmos para os fungos entomopatogênicos com a viabilidade direta
somente, como está no meu procedimento.

Acho interessante que essa discussão acabou saindo diretamente da empresa e
nos "cutucou" um pouco sobre o assunto e com a discussão da Rede
Entomofungo, motivo pelo qual ela foi criada, vamos começar a trabalhar um
pouco mais esse assunto e outros ainda que estão na pauta a alguns anos.

Estou procurando o Alexandre Sene Pinto para falar da publicação das nossas
tabelas, acredito que já consegui verba para isso, mas tenho nenhum contato.
Não sei o que acontece, peço ajuda de vocês.

Vamos trabalhar juntos nessas discussões sobre aquilo que trabalhamos, essa
é a primeira missão da Entomofungo.

Um abraço a todos.

JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
Pesquisador Científico
Instituto Biológico
Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
Rod. Heitor Penteado, km 3 
Caixa Postal 70 
Campinas-SP CEP 13001-970
Fone/fax: + 55 19 3252 2942
www.biologico.sp.gov.br

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
32

-----Mensagem original-----
De: Gabriel Moura [mailto:gabrielmoura em itafortebioprodutos.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 10:08
Para: Alan Pomela; ABCBio; ari em biocontrole.com.br; rubensjr em turfal.agr.br;
danilo em bugbrasil.com.br; aballa em uol.com.br; Pedro Neves UEL;
italo em esalq.usp.br; Rogério Biaggini Lopes; trazilbo em epamig.br;
lfaalves em unioeste.br; ralves em cpac.embrapa.br; faria em cenargen.embrapa.br;
jemalmeida em biologico.sp.gov.br; mmorandi em cnpma.embrapa.br;
murillo em cnpaf.embrapa.br; alcmoino em ufla.br; sosa em cnpso.embrapa.br;
mantova em biologico.sp.gov.br
Cc: Miro
Assunto: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?

Bom dia!

Prezada ABCbio e demais colegas copiados neste e-mail,

Ao receber um e-mail em nome da ABCbio a respeito da padronização de laudos
quali-quantitativos de produtos microbianos com base no método de UFC
(unidades formadoras de colônias) fiquei pasmo e assustado, uma vez que este
método gera resultados discrepantes e incoerentes em relação à real
concentração viável de um produto microbiano. Veja, não estou fazendo
crítica, pois ainda não existe uma receita ou protocolo universal e
consagrado nesse sentido e nunca haverá, só sei que há duas correntes: uma
que utiliza a "viabilidade direta" (faz contagem de esporos e determina a
viabilidade pelo método de plaqueamento e leitura em microscópio de luz,
tomando-se a proporção de conídios germinados) e a outra emprega o método de
UFC. Algumas empresas privadas do setor preferem uma a outra, porém
divergências surgem em laudos quando são utilizados os dois métodos, o que
leva a um choque ou conflito de resultados. O Prof. Sérgio Batista Alves e
inúmeros outros pesquisadores do campo de Controle Microbiano de Artrópodes
e Controle Biológico de Doenças consolidaram o método de "viabilidade
direta" como sendo o mais preciso e realista. Diversas teses da ESALQ,
orientadas pelo Prof. Sérgio, adotaram a "viabilidade direta" como parâmetro
de avaliação de produtos microbianos. Se o senhor pegar artigos
internacionais também verificará que a "viabilidade direta" é a mais aceita
pelos pesquisadores. 

Penso eu que a missão da ABCbio em profissionalizar e padronizar um
protocolo de avaliação quali-quantitativo de produtos microbianos teria que
tomar conhecimento da opinião de pesquisadores renomados da área e chegar a
um senso comum entre todos aqueles que participam desta organização. É claro
que esta é uma missão delicada e ousada, uma vez que os interesses de cada
um são divergentes. Mas tudo é possível se houver comunicação e embasamento
científico que provem a eficácia de um método em relação ao outro. Isso só é
possível por meio de trabalhos científicos com respaldo de pesquisadores
"neutros" engajados em solucionar esta questão.

Estudos feitos por nós da ESALQ demonstraram que o parâmetro UFC subestima o
valor real da concentração viável de um produto microbiano em relação ao
método de "viabilidade direta", e este valor está em torno de 10 x
(diferença gritante). Então, por exemplo, se um produto X contém 10^10
conídios/g de Trichoderma determinado pela viabilidade direta, quando se faz
a UFC deste produto haverá apenas 10^9 conídios/g. Compreende?

Toma libertade de enumerar abaixo algumas desvantagens do método de UFC:

- Imprecisão: UFC preconiza a formação de uma colônia monospórica e isto na
prática é quase impossível, pois é comum encontrar conídios
agregados/agrupados dando origem a colônias. E isolar conídios, um a um, é
uma técnica onerosa e acredito que também seja laboriosa ou
impraticável/inexequível. Logo, aquela colônia formada na placa contendo
meio de cultura não é monospórica e sim polispórica, ou seja, formada por
mais de um conídio/esporo. Conseqüentemente, isso afetará a concentração
viável e real do produto. Em formulações oleosas de fungos, como
Metarhizium, Beauveria e Trichoderma, este problema de colônia monospórica
se agrava ainda mais, visto que o óleo encapsula grupos de conídios, o que
dará origem a colônias polispóricas. Para isso, há necessidade de se
utilizar um forte emulsionante (Solubioil, detergente neutro, Triton, Tween
80 ou 120) para desagregar e extrair os conídios dessas bolhas de óleo.
Mesmo assim sobram conídios grudados um aos outros. Já na viabilidade direta
é possível contar um a um os conídios semeados numa placa contendo meio de
cultura e além do mais é feita uma leitura direta daqueles conídios
germinados. 

- Oneroso: UFC é um método laborioso e oneroso, pois dispende muito tempo
para realizar a avaliação e necessita de várias diluições para plaqueamento.
O método de viabilidade direta é rápido e fácil de executar. APenas exige o
mínimo de conhecimento da morfologia do microrganismo-teste (conhecer o
formato do esporo) para realizar a contagem em placa. 

- UFC é mais empregada para detectar a presença de patógenos (fúngicos ou
bactérias) em algum substrato ou solo, avaliar a prevalência de um
microrganismo num determinado ambiente (solo, ar etc.), realizar isolamentos
a partir de substratos (solo, planta etc.), determinar taxa de contaminação,
e verificar a presença de um microganismo viável (VIVO!) num determinado
material ou substrato e NÃO quantificar a viabilidade do mesmo.

Por esses e outros motivos, que não são poucos, desmerecemos o método de UFC
para quantificiar conídios viáveis em um produto, seja ele formulado ou não,
à base de microrganismos, como fungos e bactérias. Esta é minha opinião e
gostaria de compartilhá-la com todos aqueles que vislumbram a idoneidade e
qualidade de produtos microbianos no mercado brasileiro. 

São apenas sugestões, porém é preciso consultar tais pesquisadores de
elevado gabarito para discutir tal assunto tão importante.

Sem mais no momento! 

Agradeço cordialmente a atenção e paciência de todos!

Coloco-me à disposição para maiores informações.

Fraterno abraço a todos!

Gabriel.


Gabriel Moura
(15)9125-1153
Departamento de Pesquisa
www.itafortebioprodutos.com.br

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Nome  : LCB-POP-008 Análise quali-quantitativa de bioinseticidas a base de fungos entomopatogênicos.doc
Tipo  : application/msword
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Descr.: não disponível
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