[Entomofungo-l] RES: Classificação da percentagem de germinação
Edmilson Jacinto Marques
emar em depa.ufrpe.br
Quinta Abril 23 18:24:50 BRT 2009
José Eduardo Marcondes de Almeida escreveu:
> Boa tarde a todos!
> Estou entendendo a proposta do Marcos e claro que quando se avalia a
> viabilidade estamos falando de conídios vivos, o que pode ser expresso
> separado ou não, como o Marcos coloca em sua mensagem. No caso de rótulo de
> produto, deve ser expresso a concentração de conídios viáveis. Mas, na hora
> em que fizermos análise desse mesmo produto, para se avaliar se o que está
> expresso é o que está acontecendo, nada impede de no laudo colocarmos as
> coisas separadas: concentração e viabilidade, que ao modo de ver não está
> errado também. A classificação de viabilidade é apenas mais um parâmetro
> para verificarmos se um produto é confiável ou não. As empresas que tem
> solicitado a análise quali-quantitativa para registro no MAPA tem recebido
> instruções do próprio ministério para que o laudo expresse esses valores.
> Precisamos de mais opiniões dos especialistas participantes da Rede
> Entomofungo sobre a análise de viabilidade em si, a metodologia que
> apresentei serve ou não? Quem tem outra sugestão apresente também.
> Um abraço
>
> JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
> Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
> Pesquisador Científico
> Instituto Biológico
> Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
> Rod. Heitor Penteado, km 3
> Caixa Postal 70
> Campinas-SP CEP 13001-970
> Fone/fax: + 55 19 3252 2942
> www.biologico.sp.gov.br
>
> "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
> 32
>
> -----Mensagem original-----
> De: entomofungo-l-bounces em rumba.ufla.br
> [mailto:entomofungo-l-bounces em rumba.ufla.br] Em nome de Marcos Faria
> Enviada em: quinta-feira, 16 de abril de 2009 14:34
> Para: entomofungo-l em rumba.ufla.br
> Assunto: [Entomofungo-l] Classificação da percentagem de germinação
>
> Boa tarde,
>
> Já existem trabalhos consagrados onde sugere-se a adoção de índices de
> germinação superiores a 85% (Jenkins e Grzymacz 2000). Mas estes índices
> são propostos com o intuito de dar consistência ao processo de produção dos
> fabricantes. Já pensou a falta de consistência se um lote tiver 90% de
> germinação e o lote seguinte 40%?! Seriam dois produtos totalmente
> diferentes. Um valor maior ou igual a 85% ajuda a empresa a melhorar e
> padronizar seu processo de produção e, consequentemente, a qualidade de seu
> produto.
>
> A discussão sobre a classificação da percentagem de germinação (ótimo se
> superior a 85 ou 90% etc...) para enquadramento de produtos comerciais em
> "bons"ou "ruins"não faz sentido para mim. O Roberto também concorda que o
> que interessa é a concentração de conídios viáveis por quilo ou litro do
> produto comercial.
>
> José Eduardo, quer dizer que, na sua visão e dos outros membros que estão
> discutindo esta classificação, um produto com 99% de germinação é sempre
> superior a um produto com, por exemplo, 70% de germinação? Caso minha
> interpretação esteja equivocada, qual seria então o propósito de discutir
> esta classificação da percentagem de germinação para avaliar a qualidade de
> produtos comerciais?
>
>
> Abraços a todos e até em breve,
>
> Marcos
>
>
> _______________________________________________
> Entomofungo-l mailing list
> Entomofungo-l em rumba.ufla.br
> https://rumba.ufla.br/mailman/listinfo/entomofungo-l
>
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>
Boa noite pessoal
Com relação ao Controle de qualidade de fungos entomopatogênicos,
gostaria de fazer algumas considerações que poderão ter alguma utilidade
nessa discussão:
1. 1. O exemplo do PLANALSUCAR, quando produzíamos 1000 unidades
(sacola de polipropileno mais 200 g de Arroz mais 60 mL de água
destilada) por dia (Arroz mais fungo) ou conídios peneirados, a
viabilidade sempre foi acima de 90%. Eu acredito até que os produtos
referidos deixem a fabrica nessas condições. Por tudo que conhecemos e
a comunidade científica sobre fungos entomopatogênicos (formulações) o
armazenamento em condições de temperatura acima de 25^o C geralmente
é um desastre para viabilidade.
2. 2. Conforme mencionei em mensagem anterior, o teste de
viabilidade dos conídios em formulações sólidas pela contagem direta em
microscópio de luz, mostra-se simples (0,01 g de conídios ou da
formulação em 10 mL de água estéril com 0,01% de Tween 80. Agitar em
Vortex por 30 segundos. Transferência de 0,1 mL da suspensão para placa
com BDA com antibiótico, espalha-se a suspensão com alça de Drigalsky e
incuba-se a 26^o C. Contagem de 100 conídios em 3 repetições, com 22 a
24 horas após o plaqueamento. Será que precisa de mais alguma coisa ?
/3. 3. /Por ocasião de trabalho sobre formulações de /Metarhizium
anisopliae e Beauveria bassiana/, efetuamos avaliações de germinação
(viabilidade)logo após os formulados e com 8, 15,30 e até 270 dias de
armazenamento nas temperaturas de 20, 25 e30º C e leituras com 24 horas
após o plaqueamento (as preparações foram levemente tocadas com a alça
de platina e levadas as placas com meio BDA mais sulfato de
estreptomicina) em aproximadamente 1224 amostras durante o estudo sem
dificuldade alguma.//
/4. / 4. Para as formulações com óleos, utilizamos o meio de
Milner et al (1991), acrescido de 16 g de Agar, conforme já referido
nessas discussões, este não permite a esporulação de Ma e Bb nem a
presença de contaminantes até 72 horas de avaliação. Sendo as leituras
efetuadas com 24, 48 e 72 horas do plaqueamento a fim de registrar
possíveis efeitos de retardamento sobre a germinação. Para facilitar as
leituras nessas formulações, foi utilizada a técnica de emulsificação
dos óleos, através de centrifugação das suspensões durante 10 minutos a
2.500 rpm e em seguida colocando-se Tween 80 para ressuspender os
conídios ( Daoust et al (1983).//
/5. /Milner ET al (1991). Jour.Inv. Patho. 57(1):121-23 e Daoust
et al (1983). Jour. Inv. Patho. 41:151-160. //
/6. 5. /Com relação a classificação da viabilidade não poderíamos
estipular a leitura com 24 horas após o plaqueamento em BDA. Lembrem que
se o fungo não germinar até 24 horas terá muito mais problemas com
radiação ultravioleta, sabe-se que após esse tempo metade dos conídios
de /M.anisopliae/ pulverizados em cana-de-açúcar perderam a viabilidade
em função dessa radiação. Se padronizar a concentração da suspensão
para colocar poucos conídios na placa não poderia evitar que o micélio
fique por cima dos conídios. Também acredito ser importante a expressão
da concentração no Laudo de controle de qualidade.
Abraços
Edmilson Jacinto Marques
Prof. Associado
Departamento de Agronomia
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Laboratório de Patologia de Insetos
Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n
Dois Irmãos -Recife-PE CEP 52.171-900
Tel 81 3320.6217
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