[Entomofungo-l] Don
Marcos Faria
mrf39 em cornell.edu
Terça Abril 7 12:10:49 BRT 2009
Dráuzio e demais colegas,
Ótima notícia!
Essa homenagem da Society for Invertebrate Pathology ao prof. Donald
Roberts (Don) é muitíssimo justa. Poucos micologistas de insetos
contribuíram tanto quanto o Don para o progresso desta área do
conhecimento. Suas pesquisas sobre processo de infecção por fungos
entomopatogênicos (adesão e germinação, degradação da cutícula por enzimas,
genes envolvidos, identificação das toxinas), diferenciação de isolados com
o uso de marcadores moleculares, construção de fungos trangênicos
(expressão aumentada para proteases), estudos de termotolerância e
tolerância à radiação ultra-violeta, fomulação e vida-de-prateleira de
micoinseticidas, dentre outras, são marcantes. Esta preocupação com a
originalidade de suas pesquisas renderam ao Don mais de 2.700 citações
(isso mesmo, duas mil e setecentas citações!) na prestigiosa base de dados
ISI Web of Knowledge, e H-index superior a 31 (ou seja, ele tem 31 artigos
que receberam, cada um, pelo menos 31 citações, embora cerca de uma dúzia
deles recebeu entre 50 e 100 citações), realmente um feito incrível que
pouquíssimos patologistas contemporâneos atingiram. O papel do Don no
desenvolvimento da patologia de insetos no Brasil foi intenso, tendo
treinado um número expressivo de profissionais da área. Inclusive,
ministrou vários cursos e conduziu um projeto pioneiro de controle
microbiano na Embrapa Arroz e Feijão na década de 80, que contou com forte
intercâmbio entre cientistas brasileiros e americanos. Colegas como o
Bonifácio Magalhães, Eliana Quintela, Roberto Pereira e Luís Leite
participaram deste projeto. A relação dele com o Brasil não para por ai. O
Don foi orientador de mestres e doutores brasileiros, e outros tantos
tiveram a oportunidade de fazer pós-doc em seu laboratório. Alguns nomes
brasileiros: Roberto Pereira (mestrado), Cláudio Messias (dois pós-docs!),
Bonifácio Magalhães (que não foi oficialmente orientado do Don, mas fez as
pesquisas do doutorado no laboratório dele), Luís Leite (pós-doc), Gilberto
Braga (pós-doc), Dráuzio Rangel (Doutorado), Éverton Fernandes (doutorado
sanduíche; pós-doc em andamento). Ainda passaram pelo laboratório do Don um
grande número de pesquisadores internacionalmente renomados, que ao longo
dos últimos anos têm contribuído de forma marcante para o desenvolvimento
do nosso campo, como o Raymond St Leger (pós-doc), Steve Wraight (pós-doc),
Mark Goettel (pós-doc), Jeff Lord (pós-doc), Michael Bidochka (pós-doc), e
outros que eram do "laboratório ao lado" mas que estavam sempre interagindo
e aprendendo com o Don (Ann Hajek, Tarik Butt, etc...) Ufa... só peso
pesado! Acredito que o Don deve se sentir extremamente realizado com sua
vida profissional, tanto pelas façanhas científicas quanto pelo seu papel
na formação de tantos pupilos qualificados. Como se não bastasse, sempre
foi um membro atuante da SIP. A propósito, preparem-se para este evento,
que contará com muitas apresentações interessantes e será realizado no
encantador estado de Utah, EUA.
Abcs,
Marcos Faria
P.S.
1) esta é uma nota com alguns dos feitos marcantes do Don e não tive a
intenção de cobrir todas as suas realizações (depois o Dráuzio e outros
ex-orientados e ex-colaboradores poderão complementar).
2) Peço desculpas ao Alcides pelo tamanho da mensagem, mas não tinha como
falar menos do Don.
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