[Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?
Edmilson Jacinto Marques
emar em depa.ufrpe.br
Quinta Abril 2 18:04:22 BRT 2009
José Eduardo Marcondes de Almeida escreveu:
> Bom dia a todos!
> Quero antes de mais nada me desculpar pela "ausência", mas estou atolado até
> junho de 2009 num processo de certificação ISO 9001:2000 para Análise
> quali-quantitativa de bioinseticidas de a base de fungos entomopatogênicos e
> com isso, fazem três meses que estou querendo escrever como secretário da
> Rede Entomofungo, mas não tenho me disciplinado para isso. Bom, espero a
> compreensão dos participantes da rede e vou procurar me aplicar mais a esse
> trabalho.
>
> Como já citei, estamos pretendendo a acreditação dessa análise, que para o
> produtor e o usuário de bioinseticidas é de extrema importância. Por isso,
> estou encaminhando anexo o nosso protocolo de trabalho para essa análise
> para termos uma base de discussão e assim também chegarmos a um consenso no
> assunto. Por isso é importante também a questão do Gabriel Moura da Itaforte
> (Leiam a mensagem dele abaixo desta!) sobre análise de viabilidade e desse
> modo darmos uma posição dos pesquisadores da Rede Entomofungo sobre o
> assunto viabilidade direta ou UFC. Quero já posicionar a favor de
> trabalharmos para os fungos entomopatogênicos com a viabilidade direta
> somente, como está no meu procedimento.
>
> Acho interessante que essa discussão acabou saindo diretamente da empresa e
> nos "cutucou" um pouco sobre o assunto e com a discussão da Rede
> Entomofungo, motivo pelo qual ela foi criada, vamos começar a trabalhar um
> pouco mais esse assunto e outros ainda que estão na pauta a alguns anos.
>
> Estou procurando o Alexandre Sene Pinto para falar da publicação das nossas
> tabelas, acredito que já consegui verba para isso, mas tenho nenhum contato.
> Não sei o que acontece, peço ajuda de vocês.
>
> Vamos trabalhar juntos nessas discussões sobre aquilo que trabalhamos, essa
> é a primeira missão da Entomofungo.
>
> Um abraço a todos.
>
> JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
> Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
> Pesquisador Científico
> Instituto Biológico
> Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
> Rod. Heitor Penteado, km 3
> Caixa Postal 70
> Campinas-SP CEP 13001-970
> Fone/fax: + 55 19 3252 2942
> www.biologico.sp.gov.br
>
> "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João 8:
> 32
>
> -----Mensagem original-----
> De: Gabriel Moura [mailto:gabrielmoura em itafortebioprodutos.com.br]
> Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 10:08
> Para: Alan Pomela; ABCBio; ari em biocontrole.com.br; rubensjr em turfal.agr.br;
> danilo em bugbrasil.com.br; aballa em uol.com.br; Pedro Neves UEL;
> italo em esalq.usp.br; Rogério Biaggini Lopes; trazilbo em epamig.br;
> lfaalves em unioeste.br; ralves em cpac.embrapa.br; faria em cenargen.embrapa.br;
> jemalmeida em biologico.sp.gov.br; mmorandi em cnpma.embrapa.br;
> murillo em cnpaf.embrapa.br; alcmoino em ufla.br; sosa em cnpso.embrapa.br;
> mantova em biologico.sp.gov.br
> Cc: Miro
> Assunto: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?
>
> Bom dia!
>
> Prezada ABCbio e demais colegas copiados neste e-mail,
>
> Ao receber um e-mail em nome da ABCbio a respeito da padronização de laudos
> quali-quantitativos de produtos microbianos com base no método de UFC
> (unidades formadoras de colônias) fiquei pasmo e assustado, uma vez que este
> método gera resultados discrepantes e incoerentes em relação à real
> concentração viável de um produto microbiano. Veja, não estou fazendo
> crítica, pois ainda não existe uma receita ou protocolo universal e
> consagrado nesse sentido e nunca haverá, só sei que há duas correntes: uma
> que utiliza a "viabilidade direta" (faz contagem de esporos e determina a
> viabilidade pelo método de plaqueamento e leitura em microscópio de luz,
> tomando-se a proporção de conídios germinados) e a outra emprega o método de
> UFC. Algumas empresas privadas do setor preferem uma a outra, porém
> divergências surgem em laudos quando são utilizados os dois métodos, o que
> leva a um choque ou conflito de resultados. O Prof. Sérgio Batista Alves e
> inúmeros outros pesquisadores do campo de Controle Microbiano de Artrópodes
> e Controle Biológico de Doenças consolidaram o método de "viabilidade
> direta" como sendo o mais preciso e realista. Diversas teses da ESALQ,
> orientadas pelo Prof. Sérgio, adotaram a "viabilidade direta" como parâmetro
> de avaliação de produtos microbianos. Se o senhor pegar artigos
> internacionais também verificará que a "viabilidade direta" é a mais aceita
> pelos pesquisadores.
>
> Penso eu que a missão da ABCbio em profissionalizar e padronizar um
> protocolo de avaliação quali-quantitativo de produtos microbianos teria que
> tomar conhecimento da opinião de pesquisadores renomados da área e chegar a
> um senso comum entre todos aqueles que participam desta organização. É claro
> que esta é uma missão delicada e ousada, uma vez que os interesses de cada
> um são divergentes. Mas tudo é possível se houver comunicação e embasamento
> científico que provem a eficácia de um método em relação ao outro. Isso só é
> possível por meio de trabalhos científicos com respaldo de pesquisadores
> "neutros" engajados em solucionar esta questão.
>
> Estudos feitos por nós da ESALQ demonstraram que o parâmetro UFC subestima o
> valor real da concentração viável de um produto microbiano em relação ao
> método de "viabilidade direta", e este valor está em torno de 10 x
> (diferença gritante). Então, por exemplo, se um produto X contém 10^10
> conídios/g de Trichoderma determinado pela viabilidade direta, quando se faz
> a UFC deste produto haverá apenas 10^9 conídios/g. Compreende?
>
> Toma libertade de enumerar abaixo algumas desvantagens do método de UFC:
>
> - Imprecisão: UFC preconiza a formação de uma colônia monospórica e isto na
> prática é quase impossível, pois é comum encontrar conídios
> agregados/agrupados dando origem a colônias. E isolar conídios, um a um, é
> uma técnica onerosa e acredito que também seja laboriosa ou
> impraticável/inexequível. Logo, aquela colônia formada na placa contendo
> meio de cultura não é monospórica e sim polispórica, ou seja, formada por
> mais de um conídio/esporo. Conseqüentemente, isso afetará a concentração
> viável e real do produto. Em formulações oleosas de fungos, como
> Metarhizium, Beauveria e Trichoderma, este problema de colônia monospórica
> se agrava ainda mais, visto que o óleo encapsula grupos de conídios, o que
> dará origem a colônias polispóricas. Para isso, há necessidade de se
> utilizar um forte emulsionante (Solubioil, detergente neutro, Triton, Tween
> 80 ou 120) para desagregar e extrair os conídios dessas bolhas de óleo.
> Mesmo assim sobram conídios grudados um aos outros. Já na viabilidade direta
> é possível contar um a um os conídios semeados numa placa contendo meio de
> cultura e além do mais é feita uma leitura direta daqueles conídios
> germinados.
>
> - Oneroso: UFC é um método laborioso e oneroso, pois dispende muito tempo
> para realizar a avaliação e necessita de várias diluições para plaqueamento.
> O método de viabilidade direta é rápido e fácil de executar. APenas exige o
> mínimo de conhecimento da morfologia do microrganismo-teste (conhecer o
> formato do esporo) para realizar a contagem em placa.
>
> - UFC é mais empregada para detectar a presença de patógenos (fúngicos ou
> bactérias) em algum substrato ou solo, avaliar a prevalência de um
> microrganismo num determinado ambiente (solo, ar etc.), realizar isolamentos
> a partir de substratos (solo, planta etc.), determinar taxa de contaminação,
> e verificar a presença de um microganismo viável (VIVO!) num determinado
> material ou substrato e NÃO quantificar a viabilidade do mesmo.
>
> Por esses e outros motivos, que não são poucos, desmerecemos o método de UFC
> para quantificiar conídios viáveis em um produto, seja ele formulado ou não,
> à base de microrganismos, como fungos e bactérias. Esta é minha opinião e
> gostaria de compartilhá-la com todos aqueles que vislumbram a idoneidade e
> qualidade de produtos microbianos no mercado brasileiro.
>
> São apenas sugestões, porém é preciso consultar tais pesquisadores de
> elevado gabarito para discutir tal assunto tão importante.
>
> Sem mais no momento!
>
> Agradeço cordialmente a atenção e paciência de todos!
>
> Coloco-me à disposição para maiores informações.
>
> Fraterno abraço a todos!
>
> Gabriel.
>
>
> Gabriel Moura
> (15)9125-1153
> Departamento de Pesquisa
> www.itafortebioprodutos.com.br
>
>
> ------------------------------------------------------------------------
>
> _______________________________________________
> Entomofungo-l mailing list
> Entomofungo-l em rumba.ufla.br
> https://rumba.ufla.br/mailman/listinfo/entomofungo-l
>
Olá Pessoal
Inicialmente gostaria de parabenizar o grupo pelo reinicio das
discussões, lembrando que não devemos nos preocupar TANTO com rapidez
nesses contatos, pois todos somos cada vez mais solicitados,
deixando-nos frequentemente nervosos quando surge uma nova atribuição.
Importante é que nossos contatos sejam contínuos.
1.Inicialmente gostaria de dizer que concordo com a avaliação
indicada pelo José Eduardo " Viabilidade direta", mesmo porque é assim
que é feito pelas Universidades e pesquisadores que trabalham com fungos
entomopatogênicos e que geralmente não têm outro interesse que não seja
a constatação da viabilidade real dos conídios. Como também pelas
inúmeras razões já enumeradas nesse início de discussão.
.
2. Não entendo como a ABCbio pode estabelecer uma forma de avaliação
de viabilidade de seus produtos sem o aval das Instituições públicas
e(ou) privadas responsáveis. Contagens de UFC, como constatar se estão
viáveis?
3. Como ficam os consumidor (Usinas e Fazendas de cana-de-açúcar)
nessa história, afinal o campo pode ser um importante constatador ou não
da qualidade do produto, lógico, aqui trataremos de qualidade e quantidade.
Abraços
Edmilson
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