[Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais correto?

Rogério Biaggioni Lopes rblopes em cenargen.embrapa.br
Quinta Abril 2 17:05:17 BRT 2009


Pedro,
Acho que a posição do grupo científico que participa da ABCbio é de levar a 
posição tomada por todos os membros da Entomofungo.
A discussão pode ser até mais demorada pelo maior número de sugestões e a 
possibilidade de divergências na discussão, mas isso que considero 
importante e temos que manejar. Em pontos que todos concordem, especialmente 
os que a ABCbio tem mais pressa e interesse, já podemos redigir e circular o 
protocolo.
Exemplo: a técnica de viabilidade direta de Metarhizium anisopliae (conídios 
de fácil visualização e diferenciação), suspendendo em água + Tween para 
produtos não formulados (arroz+fungo ou esporos puros), é muito mais 
prática, rápida, de menor custo para o solicitante e de boa precisão. Talvez 
possamos discutir apenas alguns ajustes por exemplo da concentração e 
quantidade da calda colocada na placa, o meio mais adequado, os melhores 
tempos para a leitura e se é preciso fazer algum tipo de hidratação do 
esporo mais seco (como, por quanto tempo, etc.).
Mais pesquisadores participando da discussão é mais chance de cada um 
validar as sugestões em seus laboratórios, dando mais segurança nas análise.
Muitos aspectos que o Marcos colocou são realmente importantes também e 
vamos amadurecendo o assunto.
Abs

Rogério Biaggioni Lopes
Embrapa-Cenargen
Pq. Estação Biológica, W5 Norte (final)
CP 02372, CEP 70770-900, Brasília-DF
----- Original Message ----- 
From: "Pedro Neves" <pedroneves em uel.br>
To: "José Eduardo Marcondes de Almeida" <jemalmeida em biologico.sp.gov.br>; 
<entomofungo-l em rumba.ufla.br>; "Marcos Faria" <mrf39 em cornell.edu>
Sent: Thursday, April 02, 2009 3:57 PM
Subject: Re: [Entomofungo-l]ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais 
correto?


Bom dia pessoal

Estou com uma dúvida com relação a como levaremos essa discussão. Existe a
nossa rede e a ABCbio. Gostaria de saber a opinião dos outros colegas se
devemos ter uma posição de Entomofungo. O meu dilema está relacionado com o
fato de que eu pertenço aos dois grupos.

Pedro


----- Original Message ----- 
From: "Marcos Faria" <mrf39 em cornell.edu>
To: "José Eduardo Marcondes de Almeida" <jemalmeida em biologico.sp.gov.br>;
<entomofungo-l em rumba.ufla.br>
Sent: Tuesday, March 31, 2009 7:53 PM
Subject: Re: [Entomofungo-l] ENC: UFC vs. Viabilidade diret a: qual é o mais
correto?


José Eduardo,

Boa noite!

1) Que bom voltar a discutir assuntos relacionados aos fungos
entomopatogênicos.
O melhor ainda é poder contribuir para uma discussão tão interessante quanto
esta, que ao mesmo tempo poderá ser útil ao protocolo que vcs estão
desenvolvendo. Acho que o documento está ficando muito bom e estou
apresentando,
em anexo, uma série de sugestões. São apenas sugestões e, portanto, fique
à vontade para aceitar ou não. Podemos até usar este fórum para discutir
aquelas
mais "polêmicas". Por falar em polêmico, eu sempre fiquei com a pulga atrás
da orelha
sobre a etapa anterior à realização das análises. Infelizmente, gente boa e
gente mal intencionada
(em proporção muito menor) tem em todo lugar. Como garantir que as amostras
que serão enviadas para
o Instituto Biológico são representativas dos produtos tal qual foram
recebidos pelo usuário?
Considere a seguinte situação que, embora pouco provável, pode acontecer:
com a finalidade de ferir a reputação do produto A, um funcionário de
determinada usina que tem interesse pe$$soal no produto B, envia para
análise no Instituto
Biológico uma amostra adulterada (por exemplo, exposta ao sol durante
horas, ou cozida
no microondas durante alguns minutos para reduzir a viabilidade, etc...).
Neste caso, o laudo
indicaria que o produto A é muito ruim, mas o que a usina recebeu foi um
produto muito
melhor. Como evitar ou diminuir que problemas desta natureza ocorram? Uma
contra-prova
oferecida pela empresa A teria algum valor, mesmo sabendo que muito
provavelmente a
empresa enviaria um super-produto?  Bem, esta é apenas uma provocação para
que o processo
de amostragem (antes das análises) seja o mais correto possível e que não
deixe muitas
lacunas para falcatruas.

2) Concordo com o técnico da empresa de que a contagem direta é mais
indicada que o
uso da UFC para as análises quanti-qualitativas. Tenho visto inúmeras
publicações em
que o pessoal que trabalha com fungos entomopatogênicos emprega contagens
diretas,
enquanto o pessoal da fitopatologia gosta do uso das UFC. Particularmente,
acho que o uso
da UFC só é interessante quando a contagem direta não é possível.

3) Parabéns por ter conseguido os recursos para as tabelas. Isto é uma
ótima notícia. O Pedro tem o
contato do Alexandre. Acho que temos que dar uma atualizada nas tabelas
antes de enviá-las para o
Alexandre. Portanto, depois que vcs conseguirem conversar com o Alexandre e
a data para o envio
do material estiver acertado, vamos passar as tabelas por uma rápida
revisão.

Abraço a todos,

Marcos Faria





At 10:33 AM 3/31/2009 -0300, José Eduardo Marcondes de Almeida wrote:
>Bom dia a todos!
>Quero antes de mais nada me desculpar pela "ausência", mas estou atolado
>até
>junho de 2009 num processo de certificação ISO 9001:2000 para Análise
>quali-quantitativa de bioinseticidas de a base de fungos entomopatogênicos
>e
>com isso, fazem três meses que estou querendo escrever como secretário da
>Rede Entomofungo, mas não tenho me disciplinado para isso. Bom, espero a
>compreensão dos participantes da rede e vou procurar me aplicar mais a esse
>trabalho.
>
>Como já citei, estamos pretendendo a acreditação dessa análise, que para o
>produtor e o usuário de bioinseticidas é de extrema importância. Por isso,
>estou encaminhando anexo o nosso protocolo de trabalho para essa análise
>para termos uma base de discussão e assim também chegarmos a um consenso no
>assunto. Por isso é importante também a questão do Gabriel Moura da
>Itaforte
>(Leiam a mensagem dele abaixo desta!) sobre análise de viabilidade e desse
>modo darmos uma posição dos pesquisadores da Rede Entomofungo sobre o
>assunto viabilidade direta ou UFC. Quero já posicionar a favor de
>trabalharmos para os fungos entomopatogênicos com a viabilidade direta
>somente, como está no meu procedimento.
>
>Acho interessante que essa discussão acabou saindo diretamente da empresa e
>nos "cutucou" um pouco sobre o assunto e com a discussão da Rede
>Entomofungo, motivo pelo qual ela foi criada, vamos começar a trabalhar um
>pouco mais esse assunto e outros ainda que estão na pauta a alguns anos.
>
>Estou procurando o Alexandre Sene Pinto para falar da publicação das nossas
>tabelas, acredito que já consegui verba para isso, mas tenho nenhum
>contato.
>Não sei o que acontece, peço ajuda de vocês.
>
>Vamos trabalhar juntos nessas discussões sobre aquilo que trabalhamos, essa
>é a primeira missão da Entomofungo.
>
>Um abraço a todos.
>
>JOSÉ EDUARDO MARCONDES DE ALMEIDA
>Engo. Agrônomo - Dr em Entomologia
>Pesquisador Científico
>Instituto Biológico
>Centro Experimental - Lab. de Controle Biológico
>Rod. Heitor Penteado, km 3
>Caixa Postal 70
>Campinas-SP CEP 13001-970
>Fone/fax: + 55 19 3252 2942
>www.biologico.sp.gov.br
>
>"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...(Jesus Cristo)" João
>8:
>32
>
>-----Mensagem original-----
>De: Gabriel Moura [mailto:gabrielmoura em itafortebioprodutos.com.br]
>Enviada em: terça-feira, 31 de março de 2009 10:08
>Para: Alan Pomela; ABCBio; ari em biocontrole.com.br; rubensjr em turfal.agr.br;
>danilo em bugbrasil.com.br; aballa em uol.com.br; Pedro Neves UEL;
>italo em esalq.usp.br; Rogério Biaggini Lopes; trazilbo em epamig.br;
>lfaalves em unioeste.br; ralves em cpac.embrapa.br; faria em cenargen.embrapa.br;
>jemalmeida em biologico.sp.gov.br; mmorandi em cnpma.embrapa.br;
>murillo em cnpaf.embrapa.br; alcmoino em ufla.br; sosa em cnpso.embrapa.br;
>mantova em biologico.sp.gov.br
>Cc: Miro
>Assunto: UFC vs. Viabilidade direta: qual é o mais correto?
>
>Bom dia!
>
>Prezada ABCbio e demais colegas copiados neste e-mail,
>
>Ao receber um e-mail em nome da ABCbio a respeito da padronização de laudos
>quali-quantitativos de produtos microbianos com base no método de UFC
>(unidades formadoras de colônias) fiquei pasmo e assustado, uma vez que
>este
>método gera resultados discrepantes e incoerentes em relação à real
>concentração viável de um produto microbiano. Veja, não estou fazendo
>crítica, pois ainda não existe uma receita ou protocolo universal e
>consagrado nesse sentido e nunca haverá, só sei que há duas correntes: uma
>que utiliza a "viabilidade direta" (faz contagem de esporos e determina a
>viabilidade pelo método de plaqueamento e leitura em microscópio de luz,
>tomando-se a proporção de conídios germinados) e a outra emprega o método
>de
>UFC. Algumas empresas privadas do setor preferem uma a outra, porém
>divergências surgem em laudos quando são utilizados os dois métodos, o que
>leva a um choque ou conflito de resultados. O Prof. Sérgio Batista Alves e
>inúmeros outros pesquisadores do campo de Controle Microbiano de Artrópodes
>e Controle Biológico de Doenças consolidaram o método de "viabilidade
>direta" como sendo o mais preciso e realista. Diversas teses da ESALQ,
>orientadas pelo Prof. Sérgio, adotaram a "viabilidade direta" como
>parâmetro
>de avaliação de produtos microbianos. Se o senhor pegar artigos
>internacionais também verificará que a "viabilidade direta" é a mais aceita
>pelos pesquisadores.
>
>Penso eu que a missão da ABCbio em profissionalizar e padronizar um
>protocolo de avaliação quali-quantitativo de produtos microbianos teria que
>tomar conhecimento da opinião de pesquisadores renomados da área e chegar a
>um senso comum entre todos aqueles que participam desta organização. É
>claro
>que esta é uma missão delicada e ousada, uma vez que os interesses de cada
>um são divergentes. Mas tudo é possível se houver comunicação e embasamento
>científico que provem a eficácia de um método em relação ao outro. Isso só
>é
>possível por meio de trabalhos científicos com respaldo de pesquisadores
>"neutros" engajados em solucionar esta questão.
>
>Estudos feitos por nós da ESALQ demonstraram que o parâmetro UFC subestima
>o
>valor real da concentração viável de um produto microbiano em relação ao
>método de "viabilidade direta", e este valor está em torno de 10 x
>(diferença gritante). Então, por exemplo, se um produto X contém 10^10
>conídios/g de Trichoderma determinado pela viabilidade direta, quando se
>faz
>a UFC deste produto haverá apenas 10^9 conídios/g. Compreende?
>
>Toma libertade de enumerar abaixo algumas desvantagens do método de UFC:
>
>- Imprecisão: UFC preconiza a formação de uma colônia monospórica e isto na
>prática é quase impossível, pois é comum encontrar conídios
>agregados/agrupados dando origem a colônias. E isolar conídios, um a um, é
>uma técnica onerosa e acredito que também seja laboriosa ou
>impraticável/inexequível. Logo, aquela colônia formada na placa contendo
>meio de cultura não é monospórica e sim polispórica, ou seja, formada por
>mais de um conídio/esporo. Conseqüentemente, isso afetará a concentração
>viável e real do produto. Em formulações oleosas de fungos, como
>Metarhizium, Beauveria e Trichoderma, este problema de colônia monospórica
>se agrava ainda mais, visto que o óleo encapsula grupos de conídios, o que
>dará origem a colônias polispóricas. Para isso, há necessidade de se
>utilizar um forte emulsionante (Solubioil, detergente neutro, Triton, Tween
>80 ou 120) para desagregar e extrair os conídios dessas bolhas de óleo.
>Mesmo assim sobram conídios grudados um aos outros. Já na viabilidade
>direta
>é possível contar um a um os conídios semeados numa placa contendo meio de
>cultura e além do mais é feita uma leitura direta daqueles conídios
>germinados.
>
>- Oneroso: UFC é um método laborioso e oneroso, pois dispende muito tempo
>para realizar a avaliação e necessita de várias diluições para
>plaqueamento.
>O método de viabilidade direta é rápido e fácil de executar. APenas exige o
>mínimo de conhecimento da morfologia do microrganismo-teste (conhecer o
>formato do esporo) para realizar a contagem em placa.
>
>- UFC é mais empregada para detectar a presença de patógenos (fúngicos ou
>bactérias) em algum substrato ou solo, avaliar a prevalência de um
>microrganismo num determinado ambiente (solo, ar etc.), realizar
>isolamentos
>a partir de substratos (solo, planta etc.), determinar taxa de
>contaminação,
>e verificar a presença de um microganismo viável (VIVO!) num determinado
>material ou substrato e NÃO quantificar a viabilidade do mesmo.
>
>Por esses e outros motivos, que não são poucos, desmerecemos o método de
>UFC
>para quantificiar conídios viáveis em um produto, seja ele formulado ou
>não,
>à base de microrganismos, como fungos e bactérias. Esta é minha opinião e
>gostaria de compartilhá-la com todos aqueles que vislumbram a idoneidade e
>qualidade de produtos microbianos no mercado brasileiro.
>
>São apenas sugestões, porém é preciso consultar tais pesquisadores de
>elevado gabarito para discutir tal assunto tão importante.
>
>Sem mais no momento!
>
>Agradeço cordialmente a atenção e paciência de todos!
>
>Coloco-me à disposição para maiores informações.
>
>Fraterno abraço a todos!
>
>Gabriel.
>
>
>Gabriel Moura
>(15)9125-1153
>Departamento de Pesquisa
>www.itafortebioprodutos.com.br
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